Confinamento não inclui reunião familiar ou entre amigos

Por que reunir-se com a família ou visitar os vizinhos quando por toda parte, as mídias dizem “fique em casa?”. Será mesmo que o vírus está à espreita apenas nas principais ruas e avenidas? O vírus não escolhe os espaços que pretende frequentar, ele também transita pelas ruas mais bonitas e feias, nas pavimentadas e mesmo nas pisaduras de barro onde passam pouca gente. O vírus pega carona em “GENTE” e onde tiver gente haverá a possibilidade de contágio.

Encontros familiares em tempo de quarentena ou confinamento são um perigo! Imagine que alguém vai à feira escolhe um tomate e resolve não comprar porque “não gostou do aspecto dele, pareceu murcho”. Tal pessoa coloca o tomate de volta e essa pessoa não sabe ainda mas está com o vírus circulando em seu corpo. Aparentemente, está com um leve resfriado e raras vezes limpa o nariz com um paninho que já foi dobrado várias vezes e a secreção úmida já tomou conta das mãos dessa pessoa.

Outras que irão escolher o tomate naquela banca de feira, poderão pegá-lo, uma delas irá levá-lo para casa e depois de pegar nele terão se apoiado em vários locais que podem ser a maçaneta de algumas portas, janelas. Pegarão em copos, pratos talheres para receber os visitantes que também estão em confinamento em suas casas e saem apenas para passear na casa de familiares e amigos também em confinamento.

Algo parecido ocorreu com uma família em São Paulo, reuniram-se para comemorar um aniversário (nada demais, não tinha gente de fora – só os de casa) e o resultado é que dos que estavam ali presentes, 3 irmãs morreram e o restante das pessoas também adoeceram. Os próximos encontros familiares jamais serão os mesmos.

Infelizmente, muitas pessoas não percebem a gravidade da doença e as infinitas possibilidades de contaminação, pensam que confinamento se traduz apenas em evitar locais públicos. E aglomerações públicas se resumem a “feira, mercados, praças e lojas”. Porém, o interior de algumas casas, assumiram condição semelhante a estar na praça, numa feira, num mercado ou evento – passando a ser um novo foco de contaminação.

A internet possibilita muitas coisas interessantes para manter as pessoas o máximo de tempo possível em casa. A exemplo das lives de shows musicais que estão sendo promovidas gratuitamente para que as pessoas curtam as músicas de seus artistas preferidos. Ótima ideia, mas isso torna-se arriscado, quando amigos e parentes resolvem se reunir para assistir esses shows online num ambiente familiar. O objetivo das lives é amenizar o desconforto do confinamento, jamais promover aglomerações, mesmo que dentro de sua própria casa.

Há sempre a sensação de que tudo acontece com os outros e somos especiais o suficiente não vivenciarmos os problemas e enfermidades que atingem outras famílias. Pura ilusão, estamos sujeitos a tudo. A doença ataca humanos no geral e não grupos específicos. Portanto, quem tiver amor a própria vida, à família e amigos, entenderá que o confinamento também está atrelado a encontros familiares e buscará o afastamento temporário. Promove-los ou fazer parte desses encontros é ofertar uma via de acesso vip ao vírus, para que sua circulação ocorra no lugar que deveria funcionar como “zona de segurança máxima” – o interior de nossas casas.

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