Graciliano Ramos em Buíque

Em 1895, viera para Buíque um ilustre menino,
Graciliano Ramos, sonhador de imaginação aflorada,
Chegou à terra abençoada, cenário que bem conheceria,
Nas tramas da vida e das letras, sua alma se embrenharia.

Em Buíque, Graciliano encontrou seu refúgio,
Entre páginas e histórias, sua mente se iluminou,
Descobriu no poder das palavras seu maior desafio,
E nas primeiras letras, o caminho que seu destino trilhou.

Na Fazenda Pintadinho, palco de velhas lembranças,
Graciliano Ramos mergulhou na vida do campo.
A natureza exuberante, fonte de suas esperanças,
Mostrava em singela dança, a bonança e o espanto.

E foi no centro de Buíque onde tudo pulsava,
Graciliano observava a vida e seu movimento,
Caminhando pelas ruas, nas pessoas encontrava,
A inspiração que faltava, para narrar vários momentos.

No vigário João Ignacio, um temor o paralisava,
Sentia o peso da autoridade imponente.
E mesmo assim, sua mente não deixava de sonhar,
E nas palavras encontrava um refúgio eloquente.

Foi amigo de José Bernardo, proprietário Pico,
Produtor de rapadura e verdadeiro amigo.
Um vínculo afetuoso, um elo sempre guardado,
Conexão verdadeira que marcou o seu passado.

Em 1945, lembranças viraram o livro “infância”,
Memórias pulsando em lembranças sobre um Buíque vivo.
Graciliano eternizou o que não desvanecerá,
Lugares, pessoas e histórias que vivia a observar.

Buíque foi memória límpida desse escritor singular.
Graciliano é filho adotivo nessa terra virtuosa.
Em suas palavras, a essência de um tempo a eternizar,
A história de um menino de escrita poderosa.

Assim a cidade se eterniza na obra e na poesia,
Na jornada de Graciliano: a alma que se expande;
Nos personagens, a beleza da terra e sua melodia.
Uma ode à infância, à morte e à vida.

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